AQUI está uma notícia onde não me incomoda o dinheiro gasto...
Por patologia, os medicamentos contra o cancro (antineoplásicos e imunomoduladores) foram os que representaram uma maior despesa em 2004: 88.579.223 euros. Só no primeiro semestre do ano passado, a despesa com estes fármacos foi de 55.487.956 euros. O custo médio de tratamento por doente oncológico foi de 1772 euros em 2004.
No meu caso, felizmente, não precisei dos comprimidos para o enjoo, que são dos mais caros, apenas por uma vez tive de os trazer para casa por motivos de percaução, mas nem os cheguei a tomar, tive a sorte de aguentar "bem" os tratamentos, mas por exemplo tive de fazer um cateter com acesso externo (que ainda tenho!) que dei conta que é bastante caro quando fui para Inglaterra e tive de o ir limpar (ainda o tenho implantado, e precisa de limpezas regulares de 6 em 6 semanas), no Hospital disseram-me que não estavam habituados a lidar com aquele tipo de catéter porque era caro e quem o quisesse pôr tinha de o pagar do próprio bolso, o que levava a não ser muito usado por lá.
Acho que este dinheiro é "bem" gasto! Porque para além das despesas de medicação as pessoas que se encontram nestas situações têm outras despesas que aumentam... no meu caso quando foi descoberto e veio a notícia que teria de fazer quimioterapia colocaram-me uma série de opções, entre as quais ser transferido para o IPO de uma cidade à minha escolha (no caso Coimbra), mas eu decidi que queria ficar por Faro, para continuar com os estudos e estar mais perto dos amigos. Tinha na minha teimosia que não havia de ser um cancro a mudar a minha maneira de viver... claro que isso implicaria um esforço redobrado dos meus pais... e é daquelas coisas que não se pagam... Eu tinha de ficar internado uma semana, depois saia durante duas semanas, voltava a entrar mais uma semana, durante 6 ciclos. No inicio de cada semana de internamento os meus pais e o meu irmão (e por vezes a minha avó) vinham para Faro, ficavam o fim-de-semana e iam-me levar ao Hospital (entrava ao Domingo e saia à sexta de tarde). Depois o meu pai e irmão voltavam para casa e a minha mãe ficava em minha casa indo todos os dias para o hospital acompanhar o meu tratamento e "levar" com o meu mau humor... na sexta feira de saida o meu pai voltava a vir a Faro, ficavam o fim-de-semana comigo e voltavam ao trabalho... cada viagem de cerca de 600 Km + portagens, não ficavam baratas e sei que implicou um esforço não só financeiro como fisico e psicológico da parte deles... para além disso a minha mãe não trabalhava nas minhas semanas de internamento... enfim, pude ter escolha! Puder tomar a minha decisão com o apoio dos meus pais, e tenho plena consciência que se não tivesse feito dessa maneira provavelmente não teria "aceite" os tratamentos até ao fim do último ciclo, porque os amigos e a namorada também tiveram um papel fundamental, assim como a "distracção" dos estudos e trabalhos.
